quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PASTORES EXCLUSIVISTAS


Pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular no Equador. Quando falamos de exclusivistas temos que definir dois aspectos desta palavra, o lado positivo e também o negativo. Não é ruim ser exclusivista, a Bíblia nos fala que somos um povo separado, exclusivo de Deus e formados para fazer diferença neste mundo. Será que Ele nos coloca em vantagem sobre os demais? E por quê?No passado nossas vidas eram como a deles, mas agora nossa simples existência adquiriu um valor diferente. Com o resgate de Cristo sobre nós, nossa vida valorizou-se, somos propriedade exclusiva Dele e parte de Seu Reino. É como está escrito em 1Pe.2:9 que demonstra esta exclusividade. A parte boa disto é que FAZEMOS A DIFERENÇA! Contudo, temos que abordar também, o lado negativo da exclusividade. O senso de exclusivismo pode se tornar um monopólio. Vemos muitos de nossos pastores caindo no abismo do monopólio, e é exatamente aí que se perde toda a pureza do chamamento de Deus, que é a redenção da humanidade e a edificação do Corpo de Cristo.
O Reino de Deus é composto de pessoas de diferentes características e personalidades. Porém, muitas vezes, não aceitamos o ministério de outros porque cremos que somos melhores. Deixe-me dizer uma coisa importante, somos exclusivos de Deus, certo?Sim, mas cada um necessita do outro no corpo. É como diz em Efésios, somos um corpo e cada um precisa de cada membro, necessitamos uns dos outros. A mão é exclusiva dela mesma, mas precisa de todo o corpo para movimentar-se. Ou, às vezes, observamos que o ministério do pastor fulano de tal ou de outro irmão não tem me servido e, então pra mim, não interessa me relacionar com ele porque considero o meu ministério melhor. Não há ministério bom, somente há ministérios excelentes. Deus institui ministérios para que seja uma benção para o corpo de Cristo como um todo. E se Deus nos chamou é para que eu como pastor seja uma benção para o corpo e para usar os benefícios que Jesus conquistou na cruz. Deixe-me enfatizar algo: nenhum ministério é exclusivo de ninguém mas sim de Deus!
Nosso amado Deus nos tem chamado para sermos partes de um grande exército. O mundo será conquistado somente quando a igreja estiver em unidade. O monopólio não existe dentro do Corpo de Cristo. Não deve haver exclusivismo no meio daqueles que foram chamados por Deus para serem seus servos.Lembre-se que você é EXCLUSIVO DE DEUS, MAS NÃO DEVE EXISTIR EXCLUSIVISMO PARA SERVIR NO MINISTÉRIO.
SGM

O REINO DE DEUS



Seu Chamado

O grande desafio da vida cristã é continuar a missão deixada por Jesus. E esta é a incumbência da Igreja.
Um desafio que se apresenta a todos, em toda parte, que buscam com fidelidade expandir o Reino de Deus. O chamado do Senhor é muito mais do que um “Ei, psiu, venha aqui!”. Qualquer convocação, antes de tudo, é um chamado à renúncia, a doar-se, a comprometer-se com a verdade. É amar a Deus acima de todas as coisas. É entender que o amor é a avenida principal que o Senhor usa para transformar vidas.
A parábola do Bom Samaritano será o espelho para avaliarmos e, quem sabe, redescobrirmos nosso chamado e prática missionária. Podemos ver esse ensinamento de Jesus como sendo uma coleção de atitudes, onde vários personagens agiram de maneiras diferentes, diante da mesma situação.
Em Lucas 10. 25-37, observe o que o homem ferido representou para cada um deles.Para o especialista na lei, o homem ferido era um tema para discussão. (v.25)É bem claro no texto que, entre o perito da lei e o ferido, não havia nenhuma ligação, nenhum interesse, aliás, o interesse do perito era ele mesmo. Ele coloca Jesus à prova. Quer fazê-lo tropeçar. Não existe compadecimento, dor, nem sequer esperança de algo em favor do homem caído. Suas palavras contradizem suas ações. Sua oratória não é sua prática. Sua pergunta é de alguém que realmente está interessado no Reino. Ele conhecia o caminho, sabia o que fazer (v.27). O que vemos é que, entre aquilo que falamos e praticamos, pode haver um grande espaço. Às vezes, nos encontramos da mesma forma. Sabemos, entendemos e nos interessamos pela obra missionária. Tantos congressos, seminários, treinamentos, pregações. Temos conhecimento, mas, mesmo diante de tanta informação, a ausência da prática predomina. Jesus o incentivou (v.27). Muito bem! Você sabe, você conhece. Faça isso e viverá. Faça, coloque em prática e viverá. Tiago fala para não sermos apenas ouvintes, mas praticantes da Palavra. Se a obra e o chamado missionário forem vistos da mesma perspectiva do perito na lei, serão apenas temas para discussão e haverá milhares de feridos caídos nas estradas da vida a procura de respostas e de alguém que se compadeça a ajudá-las.
Para os salteadores, o homem ferido era alguém para ser usado e explorado. (v.30)A distância entre Jerusalém e Jericó era de 27 quilômetros. Era uma grande descida, porque Jerusalém estava situada a mil metros acima de Jericó. Era também uma estrada muito perigosa e famosa por sua violência. Nos dias de Jerônimo, ficou conhecida como caminho sanguinário. O texto diz que os ladrões o exploraram, deixando-o quase morto. Pensemos um pouco sobre a perspectiva dos ladrões. Eles refletiram no valor do roubo e não no valor da vida. Priorizaram as posses, os bens. A existência ficou em segundo plano. Valores invertidos e valores referentes à vida. Para eles, o homem oferecia algo que lhes acrescentaria. Suas intenções eram extrair algo, adquirir alguma coisa, de tal forma que o deixam semimorto.
Da mesma forma, missões não pode ser uma fonte de extração. O chamado missionário é uma atitude de entrega, onde você investe sua própria vida. Jesus disse que aquele que quiser ganhar sua vida perdê-la-á, mas aquele que a perder por amor a Cristo, este vai achá-la. O “perder a vida” por amor a Cristo é o maior investimento que um cristão pode fazer. É na morte de nossa própria vontade e direitos que encontramos sentido para viver. Poderíamos dizer que, para Deus, é perdendo que se ganha.
Para os salteadores, o homem foi uma oportunidade de aumentarem suas posses, seus bens, seus status quo. Para o bom samaritano, o ferido foi uma oportunidade para aumentar seu amor, sua fé e devoção. Investiu seu tempo, dinheiro, seus próprios bens e ainda comprometeu-se em cuidar dele.
Para os religiosos, o homem ferido era um problema a ser evitado. (v.31-32)No mesmo caminho, vinham o sacerdote e o levita. Estavam no templo, cuidando das coisas de Deus. Quando percebem o ferido, passam para o outro lado. Evitam até mesmo a proximidade. Cuidavam das coisas de Deus, mas parece que a religião que seguiam desconsiderava o amor ao próximo. A prática dos religiosos consistia dentro de quatro paredes do templo. Não podemos nos esquecer que a palavra igreja, em grego Ekklesia, significa “chamados para fora”. Logo, ser Igreja é ser chamado para fora.
Lembremos que Jesus disse que somos o sal da terra e a luz do mundo. Se nossa prática missionária não atravessar as paredes de um templo, o efeito que causaremos será quase imperceptível. Seria como acender mais uma lâmpada em Las Vegas, ou então jogar uma colher de sal no mar. Que diferença poderiam fazer? Que resultados podemos esperar? Max Lucado fala que, se agirmos assim, seremos semelhantes a um médico que coloca uma placa dizendo que não atende doentes, um dentista que não atende ninguém com dentes cariados, um veterinário que não trabalha com animais. Seria incoerência com os títulos que carregam. Se somos a Igreja do Senhor, somos então chamados para fora, este é nosso papel.
Para o samaritano, o homem ferido era um ser humano digno de cuidado e amor. (v.33-36)Foi um tapa na cara para o intérprete da lei ouvir que sua religiosidade não servia para nada e que quem ajudou o ferido foi um samaritano, pois, este tinha práticas religiosas muito diferentes dos judeus. Sua atitude é um modelo a ser seguido, revela amor e comprometimento. Ser cristão implica em amor ao próximo. João escreveu que mentimos, se dizemos que amamos a Deus - a quem não vemos - e não amamos ao nosso irmão que enxergamos. O amor e o comprometimento são características daquele que encarna seu chamado e não estão direcionados somente para aquele que vai, mas o mesmo peso é colocado sobre aquele que envia, que investe e ora.
Jesus nos deixou a ordem de ir, então, não podemos esperar que os feridos venham até nós, mas vamos até eles, procedendo conforme a atitude do bom samaritano. Finalizo esse estudo com uma frase que ouvi nos quatros anos de seminário, a qual define nosso chamado missionário:
“Ministério não é um degrau que se sobe nem um chamado a mandar, mas, um degrau que se desce e um chamado a servir.”
Djonisio de Castilho
SGM

AS MULHERES


As mulheres são importantes para Deus. Elas sempre tiveram papel especial no ministério de Jesus. Enquanto eram desprezadas pela sociedade da época, Jesus dedicou atenção e preocupação a elas. Lucas dá ênfase especial ao fato de as primeiras pessoas que testificam a ressurreição de Jesus serem todas mulheres. Lucas ainda destaca que as mulheres acompanhavam e sustentavam nosso Senhor em sua missão (8.1-13).E como são as mulheres de hoje? As mulheres que vemos em nosso dia-a-dia são comuns: professoras, donas de casa, artistas, esposas de pastores, pastoras, missionárias, empresárias, mulheres bem sucedidas. Essas são as mulheres que conhecemos. Mas a grande parte das mulheres de todo o mundo não são essas que conhecemos e tampouco têm essa realidade.
As mulheres representam 49% da população mundial. Juntas, formam 35% da força de trabalho remunerado. Representam também 70% da população dos pobres. Constituem 66% dos iletrados. Mais de 80% dos refugiados de guerras civis são mulheres. São 66% dos iletrados. Lideram 33% dos lares mundiais. Recebem apenas 10% de todo o imposto mundial. Existem milhões de adolescentes a quem tem sido negado o direito de uma infância segura, negada a vida antes mesmo de tê-la começado. Adolescentes a quem foi negada a esperança há muito tempo atrás.
Você conhece essas mulheres?
Cerca de 130 milhões de mulheres em todo o mundo sofrem das cicatrizes de mutilação genital feminina;
58 milhões de meninas não freqüentam escolas;
52 milhões de bebês são abortados anualmente (muitos apenas porque são meninas);
19 milhões de mulheres vivem com AIDS/HIV;
2 milhões de mulheres no mundo vivem com abomináveis rupturas vaginais e anais (fístulas);
2 milhões de mulheres e crianças são vendidas para escravidão ou prostituição a cada ano;
½ milhão de mulheres morrem a cada ano de causas relacionadas à gravidez.
Você não precisa conhecer essas mulheres. Você precisa conhecer a realidade delas. Precisamos orar e enviar missionárias que alcancem essas mulheres com o amor libertador de Jesus. Elas precisam urgentemente serem alcançadas. E para isso, nós necessitamos de um grande poder - o poder de Deus - o qual será enviado pelas nossas orações. Orações fervorosas e ardorosas podem mudar este padrão, estruturas sociais, governos e corações mais perversos.Somente através do amor e poder de Deus que flui de cada uma de nós é que poderemos levar a mensagem de salvação e esperança a estas jovens. Resgatar suas almas de uma vida de inferno, não somente aqui, mas também por toda eternidade. Podemos orar para que essa realidade assustadora e que, pela graça e misericórdia de Cristo não vivemos, acabe. Para que o toque curador e restaurador de Jesus alcance, através de nossas missionárias estas jovens e adolescentes. Orar para que Deus lhes restitua uma vida de dignidade e liberdade em Cristo nosso Senhor.Você nos ajudará a trazê-las de volta?
Ore e contribua com nossas missionárias:
Rosane Dginkel e Simone Azevedo – Moçambique
Eva Maria da Silva – Paraguai
Francis Franco – Norte da África
Silvana Morais – Angola
Maria Aparecida Lopes (Branca) – Timor Leste
Fátima Almeida Leitão – Uganda
Silvia Mohr – Ásia Oriental
Carine Muller – Ásia Central
Tatiane Miranda – Guiana Francesa
Irene Brocardo – Amazônia
Rosi Moraes – Espanha
Maria Oliveira - Bolívia

(dados estatísticos do Monday Morning Reality Check, 1998)
SGM

AFEGANISTÃO



INTRODUÇÃO
Sob diversas óticas, o Afeganistão é resultado de sua localização geográfica e de sua topografia. Ele já foi chamado de "encruzilhada da Ásia Central" porque a lendária Passagem Khyber, localizada na fronteira oriental com o Paquistão, é um ponto estratégico de ligação entre a Índia e regiões a oeste dali. Muitos imperadores mundiais invadiram o Afeganistão com o objetivo de dominar essa passagem, mas a maioria fracassou. A principal razão para o fracasso das invasões reside no fato de que o país é, literalmente, cortado ao meio pela Cordilheira do Hindu Kush, que além de formar um esconderijo natural é uma barreira para os exércitos invasores. Os defensores afegãos de qualquer idade somente tinham de esconder-se atrás dessa barreira natural e aguardar o momento mais oportuno para atacar os inimigos. Por outro lado, as montanhas do Hindu Kush têm possibilitado uma quase interminável guerra civil entre exércitos governamentais e forças oposicionistas – sejam elas liberais ou fundamentalistas, dependendo do momento –, assim como têm evitado a infiltração do Evangelho e de influências consideradas modernizantes, como o desenvolvimento tecnológico.
Os pataneses compõem o maior grupo étnico e constituem cerca de um terço da população. O segundo maior grupo, com cerca de 25 %da população do país, é formado de tadjiques, seguido por hazaras e uzbeques. Do total de 22,7 milhões de pessoas, 43 %possuem menos de 15 anos e 80 %da população vive em áreas rurais.
O Afeganistão já foi disputado por diversos impérios, desde Alexandre, o Grande, até o Império Britânico. Em tempos mais recentes, a autocracia monárquica deu lugar à República (1973), que por sua vez terminou com um golpe pró-marxista em 1978, seguido de uma invasão soviética. O conflito armado foi um desastre para o país e levou à retirada dos exércitos vermelhos no final da década de 80 e à queda do regime comunista em 1992.
A falta de união entre as fileiras guerrilheiras deu início a uma guerra civil e, ao longo da década de 90, uma milícia fundamentalista denominada Taleban obteve o controle de 95 %do país, deixando que apenas uma pequena área no norte fosse controlada pela inimiga Aliança do Norte.
Os ataques terroristas contra Nova York e Washington, no dia 11 de setembro de 2001, tiveram grandes conseqüências para a história contemporânea do Afeganistão. Após um breve período de investigações, o governo norte-americano concluiu que os atentados foram executados pela Al Qaeda, uma organização terrorista internacional liderada pelo saudita Osama Bin Laden, que vivia no Afeganistão na condição de hóspede do governo Taleban. Depois de inutilmente exigirem a prisão e a extradição de Bin Laden, os EUA declararam guerra contra o Taleban e, a partir do dia 7 de outubro, passaram a bombardear massivamente o território afegão, enfraquecendo a milícia fundamentalista.
Favorecida pela ajuda militar norte-americana e pelos ataques aéreos dos EUA e seus aliados, a Aliança do Norte conseguiu avançar rapidamente e dominar grande parte do território afegão, incluindo a capital Cabul, tomada em 13 de novembro. Outras forças anti-Taleban, como algumas tribos patanesas, também conquistaram territórios que se encontravam sob o domínio da milícia fundamentalista. No final de novembro de 2001, o Taleban já havia perdido o controle de praticamente todo o país, com exceção da cidade de Kandahar, onde a milícia mantinha seu quartel-general. Ainda assim, a queda da cidade era iminente.
Poucos países do mundo reconheceram o governo do Taleban, mas isto não impediu que, por alguns anos, seu regime fosse uma triste realidade para os afegãos. Na grande área que controlava, o Taleban impunha uma rígida interpretação da sharia, a lei muçulmana. Vários crimes eram punidos por meio de execuções, amputações e apedrejamentos públicos. As mulheres eram as que mais sofriam, pois não tinham acesso à educação nem à saúde, e seus direitos humanos eram constantemente desrespeitados. Além disso, diversas atividades corriqueiras eram proibidas, tais como o futebol, o cinema, raspar a barba e até tocar instrumentos musicais. O radicalismo do Taleban fez com que muitos intelectuais abandonassem o país.
No decorrer dos conflitos anteriores aos ataques norteamericanos, a economia afegã já havia sido arruinada por quase duas décadas de guerra. As áreas rurais haviam sido envenenadas, bombardeadas e minadas. Metade das habitações, quase a totalidade dos complexos sistemas de irrigação e grande parte dos rebanhos bovinos haviam sido destruídos. Com o advento do conflito com os EUA, as atividades econômicas do país tornaram-se ainda mais precárias. A agricultura absorve a maioria dos trabalhadores afegãos, sendo o cultivo de ópio a cultura mais rentável.
Cerca de 99 %da população é muçulmana e deste grupo 90 %são sunitas. Há algumas pequenas minorias religiosas, incluindo-se alguns poucos cristãos. Antes dos conflitos de 2001, a maioria dos cristãos eram estrangeiros, mas estes se viram obrigados a abandonar o país com o início dos ataques norte-americanos. Sob o domínio do Taleban, os xiitas foram sistematicamente perseguidos.
A IGREJA
O cristianismo chegou ao Afeganistão nos primeiros séculos da era cristã. Por volta de 400 d.C., já havia um bispo instalado na cidade de Herat. No entanto, o século XIV assistiu à erradicação do cristianismo por Timur e desde então a influência cristã tem experimentado períodos de ascensão e declínio. Durante a ocupação soviética, e também no período imediatamente posterior, era possível desenvolver algum tipo de ministério cristão, mas com a tomada do poder pelo Taleban todos os missionários cristãos e a maioria dos cidadãos ocidentais foram expulsos do país. Durante o governo Taleban, era permitido aos estrangeiros reunirem-se em pequenos grupos nos lares visando a confraternização, mas atos evangelísticos e a participação de afegãos eram proibidos. Os poucos afegãos convertidos ao cristianismo vivem sob constante medo e desconfiança de estranhos e de novos convertidos. A emigração e as mortes decorrentes da guerra e da violência são as principais razões do declínio da igreja do Afeganistão.
A PERSEGUIÇÃO
Enquanto manteve o poder, o Taleban instituiu um novo governo teocrático com base em uma rigorosa interpretação da sharia. A liberdade religiosa sofreu severas restrições como conseqüência das regulamentações impostas pelas diversas facções presentes no país. Quase todo o território afegão assistiu a uma vigorosa promoção do Islã, que resultou, de maneira geral, em uma opressão jamais vista contra a pequena comunidade cristã.
As leis e os costumes afegãos exigem uma filiação religiosa. O ateísmo é considerado apostasia, um crime passível de punição com a morte. Por princípio, todos os afegãos são considerados muçulmanos e as conversões são ilegais. Os convertidos podem ser condenados à morte por apostasia. Os não muçulmanos residentes no país podem praticar a sua fé, mas não podem evangelizar. Todos os homens muçulmanos devem participar das orações diárias nas mesquitas, enquanto as mulheres devem fazer suas orações em casa por não terem acesso aos templos, pelo menos enquanto o Taleban encontrava-se no poder. Alguns países, entre eles o Irã e a Arábia Saudita, têm apoiado o Afeganistão com o envio de líderes religiosos, dinheiro e literatura. O país é um verdadeiro lar para muitos muçulmanos radicais que ameaçam a vida dos cristãos. O norte do país é o principal fornecedor de ópio do mundo, e os produtores e distribuidores perseguem os cristãos que se opõem às suas atividades.
Em janeiro de 2001, o Taleban promulgou um decreto que condenava à morte qualquer pessoa que se convertesse ao cristianismo, que tentasse converter terceiros ou que distribuísse literatura cristã. Em maio do mesmo ano, uma nova lei obrigou os hindus a se vestirem de amarelo e colocarem bandeiras amarelas em suas casas para que ficassem isentos da aplicação das leis religiosas destinadas aos muçulmanos. O Taleban permitia que os hindus tivessem uma certa liberdade religiosa no Afeganistão, mas a milícia fundamentalista nunca reconheceu a existência de cristãos e judeus no país.
Durante o regime do Taleban, os cristãos afegãos viviam em permanente perigo, como nos mostra a história de Noor Khan. Certo dia, Noor recebeu uma intimação para apresentar-se em um escritório do governo. A razão para a convocação não lhe pareceu legítima, mas ele orou e a atendeu. Quando entrou no edifício, oficiais o agarraram e perguntaram se ele era Noor Khan, o homem suspeito de ser um cristão. Os afegãos costumam utilizar nomes diferentes de acordo com as circunstâncias, de tal forma que, embora algumas pessoas o conhecessem como Noor Khan, seu nome oficial era totalmente diferente. Assim, ele apresentou aos oficiais seus documentos com o nome real, dizendo-lhes que haviam cometido um engano.
Ainda assim, os oficiais o mantiveram sob maus tratos durante horas, acusando-o de ser cristão. Finalmente, eles desistiram e o trancafiaram, advertindo-o: "Espere até que os interrogadores de Kandahar cheguem aqui. Eles arrancarão a verdade de você." Tudo o que Noor Khan podia fazer naquela situação era orar e aguardar.
No dia seguinte, três homens chegaram e começaram a interrogá-lo. Para sua surpresa, ele reconheceu um deles como seu comandante no outrora exército do governo comunista. Seu coração quase parou quando ele percebeu que o homem certamente ia denunciá-lo. Ao invés disso, o visitante sinalizou-lhe para que ficasse quieto e não deixasse transparecer que eles já se conheciam. Mais tarde, quando ficaram a sós, o visitante explicou: "Se você não disser aos outros quem eu sou, eu não lhes direi quem você é e vou ajudá-lo a sair daqui."
Ele estava preocupado com sua própria segurança porque ex-comunistas eram freqüentemente executados ou condenados à prisão por crimes passados. Este antigo comandante comunista havia sido enviado pelo Comandante Celestial de Noor Khan para libertá-lo.
No dia 5 de agosto de 2001, 24 funcionários da Shelter Now, uma organização cristã de ajuda humanitária, foram detidos sob a acusação de pregar o cristianismo entre os muçulmanos afegãos. O fato ganhou destaque na mídia internacional porque faziam parte do grupo quatro alemães, dois australianos e duas norteamericanas. De acordo com as leis afegãs, os prisioneiros poderiam ser condenados à morte.
Com o início dos ataques aéreos norte-americanos ao território afegão, a situação dos 24 prisioneiros tornou-se ainda mais grave. Não foi permitido nenhum contato com 16 afegãos que, segundo o Taleban, seriam julgados separadamente. Os oito estrangeiros permaneceram detidos em Cabul até a retirada do Taleban da cidade, quando foram transferidos para Ghazni, a 80 quilômetros da capital. No dia 13 de novembro de 2001, um dia após deixarem Cabul, os oito estrangeiros foram libertados por forças da Aliança do Norte. Três dias depois, foram resgatados por helicópteros norte-americanos e levados ao Paquistão.
O FUTURO
Atualmente, a igreja no Afeganistão está em declínio devido às guerras e à perseguição. Por volta do ano 2050, sem uma significativa investida evangelística que provavelmente custaria a vida de muitos mártires, o Afeganistão continuará a ser um país de esmagadora maioria muçulmana. A perseguição e o crescimento da igreja neste século dependerão da redistribuição do poder no país após o fim do conflito com os EUA e a total derrota do Taleban. O processo de formação do governo pós-Taleban será crucial para a igreja no país.
MOTIVOS DE ORAÇÃO
1. Os futuros líderes do Afeganistão poderão manter um regime fundamentalista ou transformar o país em uma nação livre. Ore para que os futuros líderes afegãos, particularmente aqueles ligados à Aliança do Norte, reconheçam Jesus Cristo como seu Salvador pessoal e permitam a entrada de trabalhadores cristãos no país.
2. Organizações cristãs foram expulsas do país. Ore para que a nova conjuntura pós-Taleban permita que ministérios cristãos estrangeiros entrem no Afeganistão para servir ao povo afegão.
3. Muitos refugiados afegãos vivem no exterior. Estes refugiados muitas vezes são intelectuais mais liberais que discordam da severidade dos fundamentalistas e poderiam estar abertos ao cristianismo. Alguns deles, se convertidos, poderiam ser chamados pelo Senhor para retornar ao seu país natal, levando a mensagem do Evangelho para suas famílias.
4. Os cristãos afegãos mantêm sua fé em absoluto sigilo para evitar a perseguição e a morte. Ore para que recebam ousadia e sabedoria, o que lhes propiciaria a possibilidade de sobreviver e anunciar o Evangelho no ambiente extremamente hostil em que vivem.
5. As mulheres afegãs foram dramaticamente afetadas pelo Taleban. A rigorosa interpretação do código legal muçulmano negou às mulheres o acesso à educação, ao comércio e à assistência médica. Ore para que o novo governo que venha a ser formado no país estimule a igualdade entre homens e mulheres. Ore também para que surjam maneiras criativas de se exercer um ministério voltado às mulheres afegãs.
6. As crianças têm sido as grandes vítimas dos constantes conflitos. Muitas delas sofreram ferimentos graves ou morreram vítimas das minas instaladas pelos soviéticos, quando estes tentavam erradicar a guerrilha islâmica, conhecida por mujahedin. Ore para que organizações e ministérios de ajuda humanitária encontrem meios de levar o amor de Cristo a essas crianças.
7. As conquistas militares da Aliança do Norte foram marcadas pelo desrespeito aos direitos humanos. Segundo denúncias da imprensa internacional e da ONU, os combatentes da Aliança do Norte cometeram massacres, execuções e atrocidades enquanto avançavam e conquistavam territórios sob o domínio do Taleban. Ore para que o governo pós-Taleban consiga erradicar o ódio e pacificar o país.

ESTATÍSTICA
CapitalCabul


População22,7 milhões (20 %urbana)


Área652.225 km2


LocalizaçãoCentro-sul da Ásia, sem saída para o mar.


IdiomasDari, patanes, uzbeque e turcomano


ReligiãoIslamismo 99,4%,cristianismo 0,01 %


População Cristã2.500, fatia da população em declínio


PerseguiçãoSevera, intensificandose rapidamente


RestriçõesEvangelização, igrejas e cultos cristãos são proibidos. A conversão de muçulmanos não é permitida. Cristãos podem ser condenados à morte.


No século XXI...A intensidade da perseguição dependerá da redistribuição de poder após o final do conflito dos EUA e seus aliados contra a milícia Taleban.

Fonte base do texto:
Livro Cristianismo de alto risco (São Paulo, Carrenho Editorial, 2002)
Fonte base do mapa:
Globalis (em inglês)

DE OLHO NA PERSEGUIÇÃO



Igreja Perseguida
DE OLHO NA PERSEGUIÇÃO - Uma análise da perseguição ao redor do mundo
Em pleno fim de século XX, houve verdadeiros massacres em nome da fé na Indonésia e Nigéria. Mas há muitos outros contextos em que milhares de pessoas têm seus direitos violados e são impedidas, totalmente ou em parte, de praticar sua escolha religiosa com liberdade.
50 Países com perseguição da igreja
Alguns são perseguidos, torturados e mortos. Outros vivem em constante pressão do governo, da sociedade, da família. São pessoas obrigadas a superar seus limites para continuar vivas, para trabalhar ou ter acesso à escola, para realizar seus cultos sem impedimentos, exercer sua fé sem preocupar-se com a polícia.
Lugares onde a fé tem seu mais alto custo
Mais de 200 milhões de cristãos enfrentam intensa perseguição neste momento.
Mais de 250 milhões sofrem alguma forma de discriminação, sendo os governos comunistas e alguns regimes islâmicos os responsáveis mais destacados.
O problema está espalhando-se pelo mundo rapidamente. O aumento da perseguição é um sinal para os cristãos ficarem em alerta ao chamado de Deus para a Igreja e para cada um de nós.
Estatísticas básicas sobre religião no mundo
De cada 100 pessoas...
19 são muçulmanos (o islamismo é a religião que cresce mais rápido)
18 não têm religião ou são ateus
17 são católicos
17 são cristãos não-católicos (ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos, pentecostais)
14 são hindus
6 são budistas
Perseguição contra cristãos
1 em cada 3 cristãos sofre perseguição
1 em cada 10 pessoas é um cristão perseguido.
A perseguição em regiões diferentes
África
Há esperança em meio a uma fome devastadora, miséria terrível, conflitos militares e perseguição na Á frica. Essa esperança surge porque talvez esteja acontecendo lá o maior crescimento do cristianismo de que se tem notícia! Portas Abertas está envolvida no treinamento de alguns dos futuros líderes cristãos da África e está dando-lhes as ferramentas que precisam para levar o seu continente a Cristo. Também queremos ter certeza de que esses novos cristãos têm as Bíblias e outras literaturas cristãs de que precisam para crescer na fé e pregar a Palavra de Deus!
Ásia
Mais de 55% da população do mundo vivem na Ásia. Durante anos, há perseguição e o martírio de cristãos nessa região. Apesar disso, a Ásia está passando por um incrível crescimento espiritual. Que grande testemunho do poder da Palavra de Deus! Portas Abertas provê Bíblias e literatura para a Ásia, sempre tendo como alvo as igrejas domésticas clandestinas da China. Também damos cursos de treinamento extensivo para os líderes da Igreja para equipá-los com um completo conhecimento da Palavra.
América Latina
Ao contrário do que mostram os roteiros de viagem, há mais na América Latina do que sol, areia, águas mornas e gente boa. Os cristãos de Cuba, Colômbia, México e do Peru sofrem entre revolucionários, barões da droga e extremistas religiosos. É por isso que Portas Abertas estabeleceu a Rede Ágape. São pequenas equipes que dão aulas de treinamento, realizam reuniões evangelísticas e organizam centros locais para produzir literatura cristã.
Mundo Muçulmano
O Oriente Médio é o berço da Igreja Cristã, ainda que, em algumas regiões, a Igreja quase tenha sido eliminada sob a pressão muçulmana. A principal prioridade de Portas Abertas no Mundo Muçulmano é treinar uma nova geração de líderes cristãos para fortalecer a Igreja. Estamos também tentando garantir que todos os que queiram um exemplar da Palavra de Deus possam ter uma Bíblia.

ACENESE



País de Origem: Sumatra Indonésia

Religião: Islamismo

Outrora considerado “o portal para Meca” a Província Aceh (pronuncia-se “áchei”) na Indonésia tem mais de três milhões de fiéis seguidores do islamismo os acenese.

Peregrinos muçulmanos em toda a Indonésia se juntam na ponta mais ao norte da Sumatra para fazer a viagem anual a Meca o hajj. Os acenese têm permanecido mais tenazmente ligados ao islamismo do que talvez qualquer outro povo do sudeste asiático. O governo da Indonésia designou o Aceh como província especial dando-lhes maior autonomia do que outras partes do país. Enquanto alguns acenese ainda sonham em construir uma nação islâmica independente as tropas do governo ficam de alerta para impedir qualquer movimento nessa direção. A rejeição ao islamismo é também considerada algo divisivo. Os acenese suspeitam dos estrangeiros como sendo espiões tornando difícil o trabalho entre eles.

Verbo da Vida enquanto os acenese lêem o Novo Testamento recentemente colocado à sua disposição, abra seus olhos convença-os do pecado e traga-os ao Senhor.

COMERINGUE


País de Origem: Sumatra Indonésia

Religião: Islamismo Animismo

A maior parte dos 1.5 milhões de comeringue vive na região sul da ilha de Sumatra sendo dominados por uma mistura do islamismo com um profundo medo de maus espíritos. Bem próximos aos dois milhões de lampungese também do sul de Sumatra os comeringue estão entre os povos menos evangelizados do mundo. Os comeringue têm a reputação de serem violentos e o medo dos comeringue impede os indonésios cristãos de trabalhar entre eles.
Espírito desperte interesse e ousadia entre os indonésios cristãos para que sirvam como embaixadores do Senhor entre os comeringues.